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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Neno Ramos por Maria luiza 25



“Eu faço arte para dar um pouco de beleza ao mundo”
Bem humorado e ousado. O artista plástico brasileiro que conquistou a Europa está hoje redescobrindo e inovando a pop arte brasileira com seu bom gosto e espírito empreendedor
Fala calma, olhar brando e intenso. Com seus olhos azuis e cabelos longos e cacheados, levemente jogados para trás ele se consagra a cada quadro pintado. De início parece introspectivo e quieto, mas muito sabe falar de si e do seu trabalho que, diga-se de passagem, é conhecido no mundo inteiro. Neno Ramos, ou melhor, Washington Ramos Filho, formou-se em arquitetura na faculdade Belas Artes em São Paulo, em 1984. Sempre quis trabalhar com arte. Já vendia esculturas em néon para ganhar dinheiro, mas nunca havia pensado em viver só disso, em ser de fato artista. Teve aulas com alguns expoentes das artes plásticas como e Flávio Império e Haron Cohen. Inspirado pela arte pop de Andy Warhol e Basquiat, o artista plástico desenvolveu técnicas de produção, e repaginou a pop arte no país.
Antes de ser pintor consagrado, era empresário na área de engenharia. Trabalhava com seu pai, mas nunca se sentiu realizado com sua profissão. Precisava entrar em contato com a arte, realizar suas obras. Neno perdeu o pai aos 24 anos, e foi nessa época que assumiu o controle da empresa de terraplenagem da família. “Eu ganhava muito bem sendo empresário”, contou.
Durante uma viagem à França conheceu o maior acervo de obras do pintor Andy Warhol, no Museu de Arte Moderna do Beubourg, em Paris, no ano de 1990. Warhol tinha morrido cinco anos antes, e exposição era uma retrospectiva de todos os seus trabalhos. Esse foi um marco na vida de Neno Ramos. Continuou como empresário, mas a partir daí começou a dar mais importância ao seu veio. Em 1994, começou a pintar profissionalmente utilizando a pop arte como forma de expressão, tendo desde então realizado oito exposições individuais e participando de 30 coletivas e salões com premiação em cinco deles. Vendeu seu primeiro quadro em 95 por 3mil dólares, mesmo com alguns lhe dizendo que a pop arte já estava morta. “Foi fantástico!”, lembra.
Mas mesmo fazendo sucesso, Neno não largou sua empresa, só em 2001 – ano da morte de uma de suas quatro irmãs – decidiu largar mão de tudo. Sua empresa estava quebrando. Vendeu os maquinários e resolveu viver de arte, “parece que o destino fez eu perder tudo para eu fazer o que eu queria.”, declarou. A partir daí sua vida foi muito difícil, mas Neno é obstinado e com muito empenho ele acreditava em si, “Eu perseverei, eu passei fome”, declarou. “Eu acreditava no que eu fazia. Eu acreditava que era bom, porque o público queria”, reafirmou.
Em 2003, Neno Ramos foi convidado pelo curador da Bienal e critico de arte, Carlos Von Schmit, para ser diretor de produção da Cooperativa dos Artistas Visuais do Brasil. Ela foi criada em São Paulo, em agosto do mesmo ano, tendo como principais objetivos o fortalecimento das relações entre artista e sociedade, bem como possibilitar ações mais efetivas dos artistas em relação aos espaços que a arte ocupa atualmente. Artistas consagrados como Antônio Peticov, Wesley Duke Lee e Vera Café fazem parte deste grupo seleto que compõe a Cooperativa. Entre 2004 e 2006, Neno deslanchou e realizou diversas exposições em Portugal, na França, Armênia e passou a representar a arte brasileira na Europa. Muitos artigos e matérias em jornais franceses o destacaram com louvor. Hoje, suas flores em acrílico são ícones no mundo inteiro. Seus quadros são peculiares, de criação própria, com muitas cores, emoção e irreverência intrínseca. Desenvolveu técnicas e repaginou a pop arte no país. Trabalha nas séries “Rosas Carimbos”, “Queen Velvet” (girassol vermelho) e “Retratos de Cidades do Brasil”. As rosas são suas marcas registradas e reproduzidas partir de uma matriz. Sua intenção é levar as Rosas Carimbo para todos os lugares, em diversos tamanhos e padrões. Reproduz também as “Monalisas” que são uma série de quadros com a imagem tradicional da Monalisa de Leonardo da Vinci, em diversos lugares do Brasil, tudo isso em pop art. “Gosto muito da coisa plástica”, revela.
Neno considera que a leitura e a pesquisa são fundamentais para a realização de obras de arte. E para ele existem estágios de prazer que só a arte proporciona: a idéia da criação, a execução da criação, a obra-prima, a aceitação da obra, e ver as pessoas pagarem pela obra. Essa é a verdadeira aceitação. O artista vende suas obras em sua casa e em galerias, porém, a maior parte dela é vendida no seu ateliê, antes feito para ser sua casa e ateliê. “Graças a deus, as pessoas me ligam para comprar.”, orgulha-se, com razão, um dos maiores artistas de artes plásticas do país. Mora com sua terceira mulher, Catarina, no bairro do Morumbi. Tem bom humor, é arrojado e enxerga o que as pessoas precisam na vida. Elas querem cor, graça e uma pitada de fantasia. Seu lado lúdico é muito apurado e sua sensibilidade são sentidos a metros de distância. Desenvolve quadros em conjunto com artistas consagrados e tão bons quanto ele, como Cris Campana e Gustavo Rosa. Tem muita habilidade ao retratar as pessoas de forma inovadora: fotografa a pessoa, digitaliza a foto, estoura os pixels, põe na tela pinta, põe acrílico, inventa e reinventa o retrato. Com suas inúmeras técnicas utiliza-se da alta tecnologia e da experimentação para fazer algo que não se figura de forma pretensiosa, “Eu não quero o HIGH TECH, eu quero o LOW TECH”. Gosta de brincar com as cores, quanto mais colorido melhor. As formas geométricas, os mosaicos e a simetria são muito utilizados.
Neno tem uma marca registrada com o seu valor agregado: atrás de todos os seus quadros, ele carimba uma nota de dólar com a sua foto no meio, afinal, assim como George, seu nome também é Washington. O artista gosta de trocadilhos com seu nome. Criou um “Tobleneno” em referência ao chocolate Toblerone que tem a função de luminária. Também inventou o “sal de frutas Neno” para pendurar na parede. Todas as suas criações são brincadeiras muito trabalhadas e bem feitas. “O resultado estético do trabalho de Neno Ramos possui um prazer estético inegável, uma mensagem de imagens primaveris, sem contorções, mas rica e vigorosa como a de uma vida que nasce.”, disse Enock Sacramento, em 2006.
Neno está em ebulição e promete realizar trabalhos com muita vida, tecnologia e prazer.
http://plasticamente.wordpress.com/2008/04/17/neno-ramos/

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